Felipão, já faz um tempo, entrou para o hall dos intocáveis da nação. Nada arranha, nem suja, tão pouco ofusca sua imagem. Scolari resiste até mesmo à realidade dos fatos, nem sempre favoráveis a ele.
Nesses tempos de crise na seleção o nome do treinador é praticamente uma unanimidade. Ninguém lembra que, sob o seu comando, o time do Brasil passou pelos seus momentos mais deploráveis, dos quais a histórica derrota para Honduras é o apogeu. E mais, ninguém lembra que a seleção jogava muito mal na época que teve Felipão à frente, tão mal ou pior do que se apresenta atualmente. Puxem pela memória, companheiros. Relembrem o sufoco que foi o período entre julho de 2001 e junho de 2002.
Na própria Copa da Ásia a seleção ficou aquém do bom futebol. Foi campeã mais por mérito dos três erres (Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho) e pela fragilidade dos adversários do que pelo trabalho do treinador. Reclamamos da retranca do Dunga? Olha como o Felipão escalou o time no primeiro jogo do Mundial de 2002: Marcos; Cafú; Lúcio, Roque Jr. e Edmílson; Roberto Carlos; Gilberto Silva; Juninho Paulista; Ronaldinho, Rivaldo e Ronaldo. Meio-campo? Inexistia. Foi por isso que o Brasil só ganhou na estréia, da Turquia, porque o árbitro viu um pênalti a nosso favor e só não foi desclassificado contra a Bélgica porque um pênalti contra a gente não foi marcado.
Felipão ganhou a Copa. Mas nem por isso é um técnico acima de qualquer suspeita. O fato de ser uma figura simpática e querida do povo brasileiro não anula suas deficiências como treinador, e que são muitas.
Felipão anunciou, no decurso da Eurocopa, que estava contratado pelo Chelsea. Deu a declaração dias antes de Portugal, seu time até então, ser eliminado nas oitavas da competição européia. Se caso similar tivesse acontecido com um treinador da seleção brasileira, a imprensa daqui não perdoaria, fulminando frases como "ele já estava com a cabeça no campeonato inglês" ou "ficou fascinado com o dinheiro que vai receber". Como tudo isso sucedeu com Felipão, e na seleção portuguesa, ninguém disse nada. Eu nem acho que a atitude dele seja condenável, mas esse episódio dá a real idéia de que como as pessoas estão eternamente predispostas a construir uma imagem idealizada do Felipão.
Minha eterna batalha é contra os mitos que não justificam a idolatria que lhe devotam. Eu queria o Felipão para meu tio, professor ou vizinho. Jamais para treinar meu time.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
quarta-feira, 18 de junho de 2008
terça-feira, 17 de junho de 2008
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Ele dizia a verdade
Houve grande indignação dos jogadores e da comissão técnica do Corinthians por causa da declaração do Carlinhos Bala após o jogo da semana passada, na qual o atacante do Sport afirmava que aquele golzinho marcado pela sua equipe quase aos 45 do segundo tempo garantiria o título da Copa do Brasil para os pernambucanos.
O futebol, como se sabe, é um mundo onde as pessoas não podem emitir suas opiniões senão sob pena de serem acusadas de falta de humildade.
E se o Corinthians saísse campeão da Ilha do Retiro, resultado plausível, o discurso do time já estaria pronto. As provocações do Carlinhos Bala mexeram com os brios dos jogadores e lhes deram forças para buscar a taça.
Mas o campeão acabou sendo o Sport. Conseguiu exatamente o placar de que precisava. Um 2 a o ali, na conta do chá. O gol marcado no Morumbi foi fundamental. Carlinhos Bala, profeta, dizia a verdade.
Carlinhos Bala, aliás, a quem minha verve poética anseia por chamar de Charlie Bullet, foi o personagem da grande final de ontem. Por si só ele já é um protagonista em toda partida que entra, mesmo quando não faz nada. Mas ontem, além de agraciar o gramado com seu estilo ímpar, Bala ainda marcou um gol e provocou a expulsão de dois adversários. Não fez chover porque estragaria a noite de Recife.
Para o Corinthians 2008 acabou. A série B, na qual a equipe vai continuar passeando, arrastar-se-á modorrentamente até o fim. Não restou nada de emocionante que possa agitar a torcida até o término da temporada.
Foi pênalti em Acosta no finalzinho da partida? Foi. Mas era uma altura, dadas todas as circunstâncias que envolviam o jogo, em que o juiz só marcaria falta na área se saísse sangue.
Pesando tudo o que as equipes produziram, o Sport mereceu o título. E o Corinthians, enquanto cata os cacos, aprende a controlar a soberba. Em time de segunda, as expectativas devem ser de segunda.
O futebol, como se sabe, é um mundo onde as pessoas não podem emitir suas opiniões senão sob pena de serem acusadas de falta de humildade.
E se o Corinthians saísse campeão da Ilha do Retiro, resultado plausível, o discurso do time já estaria pronto. As provocações do Carlinhos Bala mexeram com os brios dos jogadores e lhes deram forças para buscar a taça.
Mas o campeão acabou sendo o Sport. Conseguiu exatamente o placar de que precisava. Um 2 a o ali, na conta do chá. O gol marcado no Morumbi foi fundamental. Carlinhos Bala, profeta, dizia a verdade.
Carlinhos Bala, aliás, a quem minha verve poética anseia por chamar de Charlie Bullet, foi o personagem da grande final de ontem. Por si só ele já é um protagonista em toda partida que entra, mesmo quando não faz nada. Mas ontem, além de agraciar o gramado com seu estilo ímpar, Bala ainda marcou um gol e provocou a expulsão de dois adversários. Não fez chover porque estragaria a noite de Recife.
Para o Corinthians 2008 acabou. A série B, na qual a equipe vai continuar passeando, arrastar-se-á modorrentamente até o fim. Não restou nada de emocionante que possa agitar a torcida até o término da temporada.
Foi pênalti em Acosta no finalzinho da partida? Foi. Mas era uma altura, dadas todas as circunstâncias que envolviam o jogo, em que o juiz só marcaria falta na área se saísse sangue.
Pesando tudo o que as equipes produziram, o Sport mereceu o título. E o Corinthians, enquanto cata os cacos, aprende a controlar a soberba. Em time de segunda, as expectativas devem ser de segunda.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Um certo Ricardo Lucas
Ver o Dodô decidir uma partida é como topar com um duende. Uma surpresa sempre agradável. Mas ainda assim surpresa.
Quem hoje em dia, senão ele, seria capaz de não comemorar o terceiro gol do Fluminense, o de sua própria autoria? Dodô, abraçado pelos companheiros e ouvindo ao fundo a explosão na arquibancada fez cara de quem não via nada de mais naquilo tudo.
Talvez estivesse furibundo, porque, artilheiro dos gols bonitos, acabara de marcar um que até os pernas-de-pau fariam.
Estaria Dodô realmente indiferente? Não. Ele exultava por dentro. E por que a reação tão fria? Porque esse Ricardo Lucas ainda guarda um pouco da virtude que tanta falta faz aos atletas de futebol modernos: a marra.
Quem hoje em dia, senão ele, seria capaz de não comemorar o terceiro gol do Fluminense, o de sua própria autoria? Dodô, abraçado pelos companheiros e ouvindo ao fundo a explosão na arquibancada fez cara de quem não via nada de mais naquilo tudo.
Talvez estivesse furibundo, porque, artilheiro dos gols bonitos, acabara de marcar um que até os pernas-de-pau fariam.
Estaria Dodô realmente indiferente? Não. Ele exultava por dentro. E por que a reação tão fria? Porque esse Ricardo Lucas ainda guarda um pouco da virtude que tanta falta faz aos atletas de futebol modernos: a marra.
Como parar o trovão?
Como deter o mar?
Como frear o tempo?
Existem forças contra as quais é inútil lutar. O Boca Juniors foi apresentado à mais terrível delas: o Maracanã.
Um estádio que, quando canta, dá medo, é um espírito.
Como frear o tempo?
Existem forças contra as quais é inútil lutar. O Boca Juniors foi apresentado à mais terrível delas: o Maracanã.
Um estádio que, quando canta, dá medo, é um espírito.
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